
Planejamento Sucessório: Guia Completo para Proteger e Transferir seu Patrimônio
Planejamento sucessório completo: ITCMD progressivo 2026, holding familiar, doação, VGBL e inventário extrajudicial. Proteja seu patrimônio com estratégias jurídicas e tributárias.
Planejamento Sucessório: Guia Completo 2026
Em resumo: Planejamento sucessório é o conjunto de estratégias adotadas em vida para transferir patrimônio aos herdeiros com o menor custo tributário e sem conflitos. Com o ITCMD progressivo de 2026 (até 8%) e o custo de inventário judicial entre 10% e 15% do patrimônio, quem não planejar pode perder R$ 200.000 a R$ 1.000.000 ou mais desnecessariamente.
A morte é o único evento certo na vida de qualquer pessoa — mas a forma como seu patrimônio será transmitido é completamente controlável. Em 2026, com a EC 132/2023 tornando o ITCMD progressivo obrigatório em todos os estados e a LC 227/2026 regulamentando a tributação sobre ativos no exterior e trusts, o custo de não ter planejamento sucessório nunca foi tão alto.
Para um médico, advogado ou empresário com patrimônio de R$ 3 milhões — o que inclui imóveis, investimentos e participações societárias —, a transmissão sem planejamento pode custar entre R$ 300.000 e R$ 500.000 em impostos e custos jurídicos, além de 12 a 36 meses com bens bloqueados e potencial conflito entre herdeiros.
Este guia apresenta o framework completo de planejamento sucessório: os instrumentos disponíveis, as regras de 2026, as simulações por faixa de patrimônio e o passo a passo para estruturar sua proteção patrimonial agora.
O que é planejamento sucessório e por que fazer agora?
Em resumo: Planejamento sucessório é a organização antecipada da transferência de bens para herdeiros, com objetivo de reduzir impostos, evitar inventário e preservar a harmonia familiar. O momento ideal é agora — enquanto o titular está vivo, com saúde e capacidade para decidir. Esperar para "quando precisar" garante o pior cenário para os herdeiros.
Planejamento sucessório não é um assunto de velhos. É um assunto de pessoas que construíram patrimônio relevante e não querem que ele seja dilapidado em impostos e disputas judiciais.
Na prática, planejamento sucessório é o conjunto de decisões tomadas em vida sobre como, quando e para quem o patrimônio será transmitido — com o menor custo tributário possível e sem conflitos que destroem famílias inteiras.
Por que 2026 é o ano crítico
Três mudanças simultâneas tornaram 2026 o momento mais urgente da última década para planejamento sucessório:
1. ITCMD progressivo obrigatório — EC 132/2023
A Emenda Constitucional 132/2023 determinou que todos os estados brasileiros adotem alíquotas progressivas de ITCMD, com teto nacional de 8%. Até 2025, São Paulo cobrava ITCMD fixo de 4% — a partir de 2026, as alíquotas sobem progressivamente conforme o valor do patrimônio.
2. Tributação de ativos no exterior — LC 227/2026
A Lei Complementar 227/2026 regulamentou a tributação de ITCMD sobre bens no exterior, trusts e fundos offshore. Antes, havia lacuna legal que permitia transmissão com baixa tributação. Agora, os estados do domicílio do falecido ou doador cobram ITCMD sobre esses ativos.
3. VGBL e previdência privada
Com as novas regras, cresce a insegurança jurídica sobre a incidência de ITCMD sobre planos de previdência privada com valores elevados. A decisão sobre quais instrumentos usar precisa ser revisada à luz da nova legislação.
O custo do tempo: quanto perde quem adia
Para cada R$ 1.000.000 de patrimônio transmitido sem planejamento em São Paulo (alíquota progressiva 2026):
- ITCMD estimado: R$ 30.000–R$ 80.000 (3% a 8%, dependendo do total)
- Inventário (honorários + custas): R$ 50.000–R$ 150.000 (5%–15%)
- Custo total de não planejar: R$ 80.000–R$ 230.000 por R$ 1M de patrimônio
Como funciona o ITCMD progressivo em 2026
Em resumo: O ITCMD é o imposto estadual sobre transmissão de bens por herança ou doação. Com a EC 132/2023, todos os estados devem adotar alíquotas progressivas com teto de 8%. Em São Paulo, o PL 409/2025 propõe faixas de 1% a 4% (ainda moderadas), enquanto estados como Rio de Janeiro já cobram até 8%.
O ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) é o imposto que incide sobre a transmissão de bens por:
- Herança: bens deixados por falecimento (causa mortis)
- Doação: transferência de bens em vida para herdeiros ou terceiros
Alíquotas por estado em 2026
| Estado | Alíquota (herança) | Alíquota máxima | Progressividade |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 1%–4% (PL 409/2025) | 4% | Sim (em implementação) |
| Rio de Janeiro | 1%–8% | 8% | Sim |
| Minas Gerais | 1%–8% | 8% | Sim |
| Paraná | 1%–8% | 8% | Sim |
| Santa Catarina | 1%–8% | 8% | Sim |
| Rio Grande do Sul | 3%–6% | 6% | Sim |
| Federal (teto) | — | 8% | Obrigatório (EC 132) |
Consulte a legislação estadual vigente, pois as alíquotas podem ter sido atualizadas após esta publicação.
Base de cálculo: o que incide?
O ITCMD incide sobre o valor de mercado dos bens transmitidos:
- Imóveis: valor venal (ou de mercado, conforme avaliação)
- Investimentos financeiros: saldo na data do falecimento ou doação
- Quotas societárias: valor patrimonial contábil ou valor de mercado
- Ativos no exterior (LC 227/2026): convertido para reais na data do evento
- Trusts e fundos offshore: conforme nova regulamentação
Bens NÃO sujeitos ao ITCMD:
- VGBL: pago diretamente aos beneficiários (não integra herança)
- Seguro de vida: pago diretamente aos beneficiários
- FGTS: transferido diretamente aos dependentes
Prazo de abertura do inventário
O Código de Processo Civil (art. 611) estabelece prazo de 2 meses após o falecimento para abertura do inventário. O descumprimento não impede a abertura tardia, mas gera multa de ITCMD (geralmente 10%–20% sobre o imposto devido) em muitos estados. Em São Paulo, a multa por atraso é de 0,33% ao mês sobre o valor do imposto.
Quer entender como estruturar seu planejamento sucessório? Na Credco, conectamos você com especialistas em proteção patrimonial e planejamento de longo prazo. FALE COM UM ESTRATEGISTA PATRIMONIAL
Os 6 instrumentos do planejamento sucessório
Em resumo: Os principais instrumentos são: holding familiar, doação em vida com reserva de usufruto, testamento, VGBL/seguro de vida, inventário extrajudicial e doação parcelada. Cada um tem vantagens específicas e o planejamento ideal combina 2 a 3 instrumentos conforme o tamanho e composição do patrimônio.
1. Holding Familiar
A holding familiar é a estratégia mais completa para patrimônios acima de R$ 2 milhões com imóveis. Funciona como uma empresa que centraliza o patrimônio — e a sucessão ocorre pela transferência de quotas societárias, eliminando o inventário.
Vantagens:
- Elimina inventário judicial (bens já no CNPJ, transferência via quotas)
- Reduz ITCMD na doação (quotas + reserva de usufruto vs herança direta)
- Reduz IR sobre aluguéis: 11,33% (Lucro Presumido) vs 27,5% (IRPF)
- Proteção patrimonial: imóveis na empresa, não no CPF
- Controle mantido via reserva de usufruto vitalício
Limitações:
- Custo de abertura: R$ 8.000–R$ 25.000
- Manutenção anual: R$ 8.000–R$ 20.000
- Justifica apenas para patrimônios acima de R$ 1,5M–R$ 2M em imóveis
- Processo demora 60–120 dias para concluir
2. Doação em Vida com Reserva de Usufruto
A doação em vida antecipa a transmissão patrimonial pagando ITCMD de doação (faixas menores) antes que o patrimônio cresça. Com a reserva de usufruto, o doador mantém o controle e o usufruto dos bens enquanto viver — apenas a nua-propriedade é transferida.
Vantagens:
- Antecipa tributação com alíquotas menores (patrimônio atual vs futuro)
- Elimina ou reduz inventário
- Mantém controle do doador (usufruto vitalício)
- Pode ser parcelada em anos para aproveitar faixas de isenção
Limitações:
- ITCMD incide na doação (mas geralmente em faixa menor)
- Requer planejamento jurídico especializado
- Imóveis com financiamento não podem ser doados sem autorização do banco
3. Testamento
O testamento é o instrumento mais simples — uma declaração formal de vontade sobre a destinação dos bens após o falecimento. É revogável a qualquer tempo e não exige a participação dos herdeiros no momento da elaboração.
Tipos:
- Público: lavrado em cartório com duas testemunhas. Mais seguro e difícil de contestar
- Particular: escrito de próprio punho e assinado por três testemunhas
- Cerrado: entregue ao tabelião em envelope fechado
Limitações importantes:
- Não elimina o inventário — apenas direciona a distribuição
- Respeita a legítima (50% do patrimônio obrigatoriamente para herdeiros necessários)
- Pode ser contestado judicialmente
4. VGBL como Instrumento Sucessório
O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) é formalmente um seguro de vida — e por isso não integra o inventário. Os recursos são pagos diretamente aos beneficiários indicados na apólice, fora do processo judicial.
Vantagens como instrumento sucessório:
- Liquidez imediata para herdeiros (pagamento em 30 dias após o sinistro)
- Não integra herança (art. 794 do Código Civil)
- Pode ser direcionado a qualquer beneficiário (não respeita a legítima)
- Permite cláusula de irrevogabilidade
Situação em 2026:
Há crescente debate jurídico sobre a incidência de ITCMD sobre VGBL com valores muito elevados, especialmente após a EC 132/2023. Alguns estados já tentam tributar. Consulte um advogado tributarista para avaliação do cenário no seu estado.
5. Inventário Extrajudicial (Cartório)
O inventário extrajudicial é feito diretamente em cartório de notas, sem necessidade de processo judicial. É mais rápido (3–6 meses), mais barato e menos traumático para a família.
Requisitos para uso:
- Todos os herdeiros são maiores e capazes
- Não há herdeiros incapazes ou nascituros
- Todos concordam com a partilha
- Há advogado assistindo
Custos (indicativos para São Paulo, patrimônio de R$ 3M):
- Escritura pública: R$ 15.000–R$ 30.000 (tabela TJSP)
- Honorários advocatícios: R$ 30.000–R$ 60.000 (6%–10% da tabela OAB)
- ITCMD: varia pelo estado (em SP, projetado 1%–4% em 2026)
- Total: R$ 100.000–R$ 200.000 vs R$ 200.000–R$ 400.000 no judicial
6. Seguro de Vida como Ferramenta Patrimonial
O seguro de vida resolve um problema que a holding não cobre: liquidez imediata para pagamento de ITCMD e manutenção da família enquanto os bens ainda estão no inventário.
Estratégia prática:
- Calcule o ITCMD projetado sobre seu patrimônio
- Contrate um seguro de vida com capital segurado equivalente a 1,5x o ITCMD projetado
- Beneficiários: herdeiros (os recursos cobrem o imposto sem precisar vender ativos)
Para patrimônios de R$ 3M em imóveis com ITCMD projetado de R$ 150.000, um seguro de R$ 250.000 garante que os herdeiros nunca precisarão vender o imóvel para pagar o imposto.
Simulação: Holding vs Sem Planejamento para Patrimônio de R$ 3M
Em resumo: Para um patrimônio de R$ 3 milhões em imóveis e investimentos, a holding familiar pode economizar R$ 250.000 a R$ 400.000 em comparação com a transmissão direta via inventário. O custo de montagem (R$ 15.000–R$ 25.000) é recuperado em menos de 12 meses pela economia em IR sobre aluguéis.
Perfil: Dr. M., cardiologista, 52 anos, São Paulo. Patrimônio:
- 3 imóveis (valor de mercado: R$ 2.400.000)
- Investimentos financeiros: R$ 400.000
- Participação societária (PJ médica): R$ 200.000
- Total: R$ 3.000.000
- 2 filhos adultos, cônjuge
Cenário A: Sem Planejamento (inventário após falecimento)
| Item | Custo Estimado |
|---|---|
| ITCMD sobre imóveis (4% em SP, nova tabela) | R$ 96.000 |
| ITCMD sobre investimentos (4%) | R$ 16.000 |
| ITCMD sobre participação PJ (4%) | R$ 8.000 |
| ITCMD Total | R$ 120.000 |
| Honorários advocatícios (6%–10%) | R$ 60.000–R$ 100.000 |
| Custas cartoriais e judiciais | R$ 20.000–R$ 40.000 |
| Custo total da transmissão | R$ 200.000–R$ 260.000 |
| Prazo com bens bloqueados | 18–30 meses |
| Risco de conflito entre herdeiros | Alto |
Cenário B: Com Holding Familiar + Doação Gradual
| Item | Custo Estimado |
|---|---|
| Constituição da holding (advogado + contador) | R$ 20.000 |
| ITBI na integralização (imunidade parcial) | R$ 0–R$ 15.000 |
| ITCMD sobre doação de quotas (faixas 1%–2%) | R$ 30.000–R$ 50.000 |
| Manutenção da holding (5 anos) | R$ 50.000–R$ 75.000 |
| Custo total (abertura + 5 anos + ITCMD) | R$ 100.000–R$ 160.000 |
| Prazo de bloqueio de bens | R$ 0 (sem inventário) |
| Economia anual em IR sobre aluguéis (R$ 15K/mês) | R$ 24.000/ano |
Economia acumulada (10 anos):
- Economia em impostos sucessórios: R$ 80.000–R$ 160.000
- Economia em IR sobre aluguéis (10 anos): R$ 240.000
- Economia total projetada: R$ 320.000–R$ 400.000
A holding se justifica claramente. E isso considerando apenas os benefícios tributários — sem contabilizar a eliminação do bloqueio de bens e a harmonia familiar.
Planejamento Sucessório para Médicos e Profissionais Liberais
Em resumo: Médicos e profissionais liberais têm características específicas que tornam o planejamento sucessório mais urgente: patrimônio concentrado em PJ, risco de responsabilidade profissional, imóveis com financiamento e frequentemente família sem expertise financeira. A combinação PJ + holding + VGBL é a mais eficiente para esse perfil.
Os 4 riscos específicos do profissional liberal
1. Responsabilidade pessoal ilimitada
Diferente de empresários com LTDA que protege o patrimônio pessoal, o médico que opera como PF está exposto ilimitadamente em ações de responsabilidade civil. Um processo milionário pode comprometer todos os bens pessoais.
2. Concentração em imóveis com financiamento
Muitos profissionais liberais têm patrimônio concentrado em imóveis financiados. Imóveis com alienação fiduciária (financiamento ativo) não podem ser transferidos para holding sem autorização do banco credor — o que exige planejamento cuidadoso da ordem de operações.
3. Patrimônio na PJ sem planejamento de saída
Médicos que operam via PJ acumulam patrimônio dentro da empresa (reserva de lucros, imóveis adquiridos pela PJ), mas muitas vezes não têm estratégia de como esse patrimônio chegará aos herdeiros. A dissolução da PJ em inventário pode ser complexa e tributariamente onerosa.
4. Cônjuge e filhos sem expertise financeira
Na maioria das famílias, o profissional liberal é o único com conhecimento financeiro aprofundado. O planejamento sucessório deve incluir mecanismos que protejam os herdeiros de si mesmos — gestão profissional do patrimônio, cláusulas de impenhorabilidade e incomunicabilidade nas quotas doadas.
A estratégia ideal por faixa de patrimônio
| Faixa de Patrimônio | Estratégia Recomendada | Custo Estimado |
|---|---|---|
| Até R$ 500K | Testamento + VGBL | R$ 2.000–R$ 5.000 |
| R$ 500K–R$ 1,5M | Testamento + doação parcelada + VGBL | R$ 5.000–R$ 15.000 |
| R$ 1,5M–R$ 3M | Holding familiar + doação gradual + seguro | R$ 20.000–R$ 40.000 |
| R$ 3M–R$ 10M | Holding + trust/offshore + VGBL + seguro | R$ 50.000–R$ 100.000 |
| Acima de R$ 10M | Estrutura internacional + advogado especializado | +R$ 100.000 |
Ativos no Exterior e a LC 227/2026
Em resumo: A Lei Complementar 227/2026 regulamentou a tributação de ITCMD sobre bens no exterior, trusts e fundos offshore. A regra geral é: ITCMD é cobrado pelo estado de domicílio do falecido ou doador sobre bens no exterior. Isso eliminou a lacuna legal que muitos utilizavam para reduzir a tributação sobre ativos internacionais.
A EC 132/2023 autorizou os estados a tributar heranças e doações de bens no exterior até que a regulamentação federal fosse publicada. Com a LC 227/2026, as regras foram consolidadas:
Bens imóveis no exterior:
- ITCMD devido ao estado de domicílio do falecido/doador no Brasil
- Base de cálculo: valor de mercado convertido para reais
Trusts e fundos offshore:
- A LC 227/2026 estabeleceu regras específicas para a transparência fiscal de trusts
- Ativos em trust são considerados do titular (grantor) para fins de ITCMD
- Dissolução do trust com transferência de bens: ITCMD incide na transmissão
Contas e investimentos no exterior:
- ITCMD cobrado pelo estado do domicílio do falecido/doador
- Documentação internacional exigida (declaração de instituição financeira estrangeira)
Atenção: A tributação de ativos no exterior ainda tem pontos em discussão judicial. O STF analisou questões relacionadas e a jurisprudência está em formação. Consulte advogado especializado em direito tributário internacional antes de qualquer reestruturação.
Estudo de Caso: Como a Família A. Economizou R$ 380.000 com Planejamento
Dr. A., 56 anos, médico cirurgião, São Paulo. Patrimônio em 2024: 4 imóveis (R$ 2,8M), investimentos financeiros (R$ 600K), PJ médica (R$ 300K em reservas). Total: R$ 3.700.000. Três filhos adultos, cônjuge.
Cenário sem planejamento (projeção):
- ITCMD herança (4%–6% progressivo): ~R$ 185.000
- Inventário judicial (prazo estimado: 24 meses): ~R$ 150.000 em custas + honorários
- Total: ~R$ 335.000 + 2 anos de bens bloqueados
Planejamento implementado (2024, antes do ITCMD progressivo de SP):
- Constituição de holding familiar (R$ 22.000)
- Integralização dos 4 imóveis ao capital social (ITBI: isento, patrimônio ≤ capital social)
- Doação de 70% das quotas para 3 filhos com reserva de usufruto vitalício
- ITCMD sobre doação (alíquota 4% em SP na época): R$ 82.000 sobre base reduzida
- Contratação de seguro de vida de R$ 250.000 para cobrir ITCMD residual futuro
- Custo total de implementação: R$ 22.000 + R$ 82.000 = R$ 104.000
Resultado:
- Inventário eliminado (bens já na holding, quotas já doadas)
- IR sobre aluguéis: de 27,5% para 11,33% (R$ 3.400/mês → R$ 40.800/ano)
- Economia anual em IR: R$ 40.800
- Payback do custo de implementação: ~2,5 anos
- Economia projetada em 10 anos (IR aluguéis + ITCMD não pago): ~R$ 480.000
Caso baseado em estrutura real atendida pela Credco. Dados alterados por confidencialidade.
Passo a Passo: Como Fazer seu Planejamento Sucessório em 2026
Em resumo: O planejamento sucessório começa com mapeamento do patrimônio, segue com escolha dos instrumentos adequados (holding, testamento, doação, VGBL), implementação jurídica e manutenção periódica. O processo completo leva 3 a 6 meses e exige advogado especializado, contador e, para patrimônios maiores, planejador financeiro.
Etapa 1: Mapeamento patrimonial completo (1–2 semanas)
Liste todos os bens e direitos:
- Imóveis (matrícula, valor venal, valor de mercado, existência de financiamento)
- Investimentos financeiros (custódia, valores, titularidade)
- Participações societárias (CNPJ, tipo, porcentagem, valor)
- Seguros de vida e previdência (VGBL/PGBL, beneficiários, valores)
- Ativos no exterior (bancos, fundos, imóveis)
- Dívidas (financiamentos, empréstimos — passivos que reduzem a base de ITCMD)
Etapa 2: Definição dos herdeiros e intenções
Defina claramente:
- Quem são os herdeiros necessários (cônjuge, filhos, pais) — recebem 50% obrigatoriamente
- Quem são os herdeiros testamentários (pode destinar até 50% da herança livremente)
- Há herdeiros com necessidades especiais?
- Como você quer que o patrimônio seja administrado após sua morte?
Etapa 3: Escolha dos instrumentos
Com o mapeamento em mãos, o advogado especializado recomenda a combinação ideal:
| Instrumento | Ideal para |
|---|---|
| Holding familiar | Patrimônio > R$ 1,5M com imóveis |
| Doação parcelada | Reduzir ITCMD ao longo de vários anos |
| VGBL estratégico | Liquidez imediata para herdeiros + fora do inventário |
| Seguro de vida | Cobrir ITCMD sem vender ativos |
| Testamento | Direcionar parte livre da herança |
| Inventário extrajudicial | Simplificar processo quando não há holding |
Etapa 4: Implementação jurídica (60–120 dias)
- Contratação de advogado especialista em direito sucessório e tributário
- Constituição da holding (se aplicável)
- Lavratura de escritura de doação com reserva de usufruto (cartório)
- Atualização de beneficiários em VGBL, seguro de vida, previdência
- Elaboração e registro do testamento público (se aplicável)
Etapa 5: Manutenção e revisão anual
O planejamento sucessório não é um evento único — é um processo contínuo:
- Revisão anual: atualização de valores, novos bens, mudanças familiares
- Atualização de laudos de avaliação das quotas da holding (obrigatório anualmente)
- Revisão de beneficiários de VGBL e seguro após eventos familiares
- Acompanhamento das mudanças legislativas de ITCMD por estado
Erros Fatais no Planejamento Sucessório
Em resumo: Os erros mais comuns são: esperar para começar (o ITCMD cresce com o patrimônio), usar apenas testamento sem holding, não atualizar beneficiários de VGBL, criar holding sem sustância real e misturar patrimônio pessoal e empresarial.
Erro 1: Adiar o início
"Vou fazer isso quando tiver mais patrimônio" ou "ainda tenho tempo" são as frases mais caras do planejamento patrimonial. Cada ano de atraso significa:
- Patrimônio que cresceu → base de ITCMD maior
- Alíquotas que subiram → imposto maior
- Menos anos para aproveitar a doação parcelada em faixas menores
Erro 2: Usar apenas testamento
O testamento não elimina o inventário — apenas direciona quem recebe o quê. Para patrimônios acima de R$ 1 milhão, o inventário (mesmo extrajudicial) custa entre R$ 50.000 e R$ 200.000. A holding elimina o inventário completamente.
Erro 3: Não atualizar beneficiários de VGBL e seguro
Divorciou? Teve mais um filho? A ex-cônjuge ainda pode ser a beneficiária do seu VGBL. Atualize os beneficiários após qualquer mudança familiar — é simples e pode ser feito online na maioria das seguradoras.
Erro 4: Holding sem substância real
A holding precisa de existência real: conta bancária própria, contabilidade separada, movimentação financeira própria. Uma holding "de papel" — sem atividade real, sem separação de patrimônio — pode ser desconsiderada pela Receita Federal ou ter sua proteção patrimonial contestada judicialmente.
Erro 5: Transferir imóveis com financiamento para a holding sem autorização bancária
Imóveis com alienação fiduciária pertencem ao banco até a quitação. Transferi-los sem autorização do credor é tecnicamente inválido. O correto é negociar com o banco a sub-rogação do financiamento para a holding — processo burocrático que pode demorar meses.
Perguntas Frequentes sobre Planejamento Sucessório
VGBL realmente não entra em inventário?
Não entra, com base no art. 794 do Código Civil, que classifica o VGBL como seguro de vida. Os recursos são pagos diretamente aos beneficiários indicados na apólice. Porém, em 2026, alguns estados tentam cobrar ITCMD sobre VGBL de alto valor — a questão ainda está sendo debatida judicialmente. Consulte advogado especializado para avaliar o risco específico no seu estado.
Posso fazer doação para filho menor de idade?
Sim, mas a doação para menor exige autorização judicial e representação pelo responsável legal (geralmente o outro genitor). A reserva de usufruto garante que o doador mantém o controle e usufruto dos bens enquanto viver. Os bens doados ao menor ficam protegidos até sua maioridade.
Planejamento sucessório se aplica a quem não tem filhos?
Absolutamente. Se você não tem herdeiros necessários (filhos, cônjuge, pais), tem mais liberdade para direcionar 100% do patrimônio a quem quiser — irmãos, sobrinhos, amigos, instituições. O testamento é o instrumento principal nesse caso. Sem testamento, os bens seguem a ordem legal de sucessão — que pode não refletir sua vontade.
A holding familiar protege contra ações trabalhistas?
Parcialmente. A proteção societária dificulta (mas não impossibilita) a penhora de bens da holding por dívidas pessoais dos sócios. Em casos de fraude ou confusão patrimonial, os tribunais podem desconsiderar a personalidade jurídica (art. 50 do Código Civil) e alcançar os bens. A holding precisa ser gerida com rigor — contabilidade separada, conta bancária própria, nunca misturando patrimônio pessoal e empresarial.
Conclusão: O Custo de Não Planejar é Sempre Maior
O planejamento sucessório em 2026 não é luxo — é necessidade. Com o ITCMD progressivo obrigatório, a tributação de ativos no exterior e o custo crescente dos inventários, quem não planejar vai transferir uma parcela significativa do patrimônio construído ao longo de décadas para o governo e para advogados, em vez de para seus herdeiros.
Para profissionais de alta renda com patrimônio acima de R$ 1,5 milhões, a holding familiar combinada com doação parcelada e VGBL estratégico é a estrutura mais eficiente disponível hoje. Para patrimônios menores, o testamento + doação direta + atualização de beneficiários já representa um salto enorme em relação a não fazer nada.
O momento de agir é agora — enquanto você está vivo, com saúde e capacidade para decidir. Cada mês de atraso é um mês a mais de exposição ao ITCMD crescente, ao inventário inevitável e ao risco de sua família passar anos disputando o que poderia ter sido resolvido com planejamento.
Leia também nosso guia sobre holding familiar: quanto custa e quando vale a pena, a análise detalhada de quanto custa uma holding familiar em 2026 com simulações de break-even, e as novas regras do ITCMD 2026 para aprofundar cada instrumento do planejamento sucessório.
Pronto para estruturar seu planejamento sucessório? Converse com um estrategista patrimonial Credco e descubra a estrutura ideal para o seu perfil. FALAR COM UM ESTRATEGISTA PATRIMONIAL
Sobre o autor: Ricardo Melo é fundador e CEO da Credco, boutique de construção patrimonial que já alavancou mais de R$ 250 milhões em patrimônio para mais de 500 profissionais de alta renda. Especialista em engenharia patrimonial, planejamento sucessório integrado e alavancagem inteligente.
Disclaimer: Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui aconselhamento jurídico, tributário ou financeiro individualizado. As regras tributárias mencionadas baseiam-se na EC 132/2023, LC 227/2026 e legislações estaduais disponíveis até fevereiro de 2026, e estão sujeitas a alterações. Consulte um advogado especializado em direito sucessório e um contador antes de implementar qualquer estrutura patrimonial.
Consultoria Gratuita
Proteja seu patrimônio do ITCMD progressivo
Estruture herança e doações com um estrategista Credco antes que o ITCMD progressivo aumente.
Falar com um Estrategista →Newsletter
Receba análises semanais de patrimônio
Conteúdo exclusivo sobre alavancagem, tributação e planejamento patrimonial. Sem spam.


