Médico em clínica revisando impacto da reforma tributária 2026 em documentos fiscais da PJ
Finanças para Alta Renda

Reforma Tributária 2026 para Clínica Médica: O Que Muda na Sua PJ

A reforma tributária substitui PIS/COFINS (CBS) e ISS (IBS). Para clínicas médicas, a carga pode subir de 13% para 17-20%. Simule o impacto no seu faturamento e veja o que fazer.

Ricardo Melo · CEO & Fundador da Credco5 de março de 202612 min de leitura

Em resumo: A reforma tributária de 2026 substitui PIS/COFINS pelo CBS e ISS/ICMS pelo IBS, com alíquota combinada estimada de 26,5%. Para clínicas médicas em Lucro Presumido, a carga tributária efetiva pode aumentar de 13,3% para 17-20% do faturamento bruto, dependendo do perfil de despesas e serviços prestados.

A reforma tributária aprovada via PEC 45/2019 representa a maior reestruturação do sistema tributário brasileiro em décadas. Para médicos que operam via PJ — sejam clínicas individuais, policlínicas ou sociedades médicas —, o impacto não é teórico. A substituição de cinco tributos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) por dois (CBS e IBS) altera a base de cálculo, elimina cumulatividades históricas e, em vários perfis de clínica, eleva a carga efetiva de forma expressiva.

Neste artigo, você vai entender exatamente o que muda, como comparar regimes tributários pós-reforma, qual o impacto numérico real em três perfis de clínica médica e quais ações tomar agora para minimizar o impacto.


O Que a Reforma Tributária Muda Para Médicos PJ #

Em resumo: CBS substitui PIS/COFINS com alíquota de 8,8% sobre o faturamento. IBS substitui ISS com alíquota que variará por município/estado, estimada em 17,7% na média. Para serviços médicos — que hoje têm alíquotas reduzidas —, o impacto depende se haverá manutenção de tratamento diferenciado.

CBS: O Fim do PIS/COFINS #

A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) é o tributo federal que substitui PIS e COFINS. Enquanto o PIS/COFINS somado representava 3,65% (Simples Nacional) a 9,25% (Lucro Real não cumulativo) sobre o faturamento, a CBS terá alíquota padrão de 8,8%, segundo informações divulgadas pela Receita Federal.

Diferença estrutural fundamental: A CBS é não cumulativa por design. Isso significa que a clínica pode deduzir créditos de CBS paga em todas as etapas anteriores da cadeia — insumos, materiais, equipamentos, serviços contratados. Para clínicas com alto custo operacional (consumíveis, equipamentos médicos, terceirização de laudos), esse crédito pode reduzir a carga real.

IBS: O Fim do ISS #

O Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) substitui ISS e ICMS, com gestão compartilhada entre estados e municípios. O ISS atual para serviços médicos varia de 2% a 5% conforme o município. O IBS terá alíquota estimada de 17,7% na base de referência, mas serviços de saúde devem ter alíquota reduzida de 60% sobre a alíquota padrão — o que colocaria a alíquota efetiva de IBS para serviços médicos em torno de 10,6%.

Imposto Seletivo: Não Afeta Serviços Médicos #

O Imposto Seletivo incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde (cigarro, bebidas alcoólicas) e ao meio ambiente. Serviços médicos não são afetados por esse tributo.

O Que Permanece Igual #

Os tributos sobre a folha de pagamento (INSS patronal, FGTS) e sobre o lucro (IRPJ e CSLL) não são afetados pela reforma. O impacto da reforma é exclusivamente sobre os tributos de consumo — o que afeta diretamente o custo dos serviços médicos, não a tributação sobre dividendos ou lucros.

Para entender como a tributação de lucros e dividendos se combina com esse cenário, consulte o artigo sobre tributação de dividendos em 2026.


Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real — Qual Regime Convém Pós-Reforma? #

Em resumo: Para faturamento até R$25K/mês, o Simples Nacional geralmente continua competitivo. Entre R$25K e R$100K/mês, o Lucro Presumido mantém vantagem na maioria dos perfis de clínica. Acima de R$100K/mês com alta despesa operacional, o Lucro Real pode se tornar mais eficiente com o uso de créditos de CBS.

A comparação entre regimes muda substancialmente com a reforma. A tabela abaixo considera o cenário pós-reforma plena (estimado a partir de 2029), com as alíquotas projetadas de CBS (8,8%) e IBS (alíquota reduzida para saúde: ~10,6% — incluindo 60% de redução sobre a base de 17,7%):

Faturamento MensalRegimeTributos sobre Faturamento (estimativa pós-reforma)Regime Mais Eficiente
R$ 20.000/mêsSimples Nacional (Anexo III)~11,2%Simples Nacional
R$ 20.000/mêsLucro Presumido~16,8%
R$ 20.000/mêsLucro Real~19,4% (sem créditos expressivos)
R$ 50.000/mêsSimples Nacional~14,7% (alíquota progressiva)Empate / LP
R$ 50.000/mêsLucro Presumido~16,8%Lucro Presumido
R$ 50.000/mêsLucro Real~14,5% (com créditos de CBS ~30%)Lucro Real
R$ 100.000/mêsSimples Nacional~17,5% (sublimite ativo)Lucro Real
R$ 100.000/mêsLucro Presumido~16,8%Lucro Presumido
R$ 100.000/mêsLucro Real~13,0% (com créditos de CBS ~40%)Lucro Real

Estimativas baseadas em alíquotas projetadas para o regime pós-transição. Variações municipais de IBS e perfil de despesas alteram os números. Consulte contador especializado.

Por Que o Lucro Real Ganha Força com a CBS #

No regime de CBS não cumulativo, cada nota fiscal de entrada gera um crédito que reduz a CBS a recolher. Uma clínica que compra equipamentos, paga por serviços terceirizados (laudo, anestesia, enfermagem) e adquire consumíveis médicos terá base de crédito relevante. Quanto maior o custo operacional como percentual do faturamento, maior o benefício do Lucro Real pós-reforma.

A decisão de migrar exige análise individualizada. O artigo IR para Médico: PF ou PJ? oferece a base para entender a estrutura tributária antes de avaliar a migração entre regimes.


Simulação Numérica: Impacto da Reforma em 3 Perfis de Clínica Médica #

Em resumo: O impacto varia de +R$3.600/ano para médico solo a +R$115.200/ano para policlínica, dependendo do regime tributário e da capacidade de aproveitar créditos de CBS. Esses valores são estimativas para o regime pleno — a transição até 2033 amortiza o impacto ao longo do tempo.

Perfil 1 — Médico Solo: R$ 30.000/mês (Lucro Presumido) #

ItemAntes da ReformaDepois da Reforma (estimativa)
Faturamento brutoR$ 30.000R$ 30.000
ISS (3%) / IBS saúde (~10,6% com redução)R$ 900R$ 3.180
PIS/COFINS (3,65%) / CBS (8,8% com créditos ~20%)R$ 1.095R$ 2.112
IRPJ + CSLL (presumido)R$ 2.880R$ 2.880
INSS + outrosR$ 1.220R$ 1.220
Total tributosR$ 6.095 (20,3%)R$ 9.392 (31,3%)
Carga sobre receita bruta~13,3% (consumo)~17,3% (consumo)

Nota: Os valores de IRPJ/CSLL e INSS são mantidos constantes pois não são afetados pela reforma. O impacto concentra-se nos tributos de consumo (ISS→IBS e PIS/COFINS→CBS). Créditos de CBS estimados em 20% do faturamento para médico solo com custos operacionais limitados.

Impacto estimado anual: +R$ 3.600 a R$ 12.000/ano, dependendo dos créditos de CBS aproveitados.

Perfil 2 — Clínica Médica: R$ 80.000/mês (Lucro Presumido) #

ItemAntes da ReformaDepois da Reforma (estimativa)
Faturamento brutoR$ 80.000R$ 80.000
ISS (3%) / IBS saúdeR$ 2.400R$ 8.480
PIS/COFINS (3,65%) / CBS (líquido, créditos ~30%)R$ 2.920R$ 4.928
IRPJ + CSLL (presumido)R$ 7.680R$ 7.680
INSS + outrosR$ 3.200R$ 3.200
Total tributosR$ 16.200 (20,3%)R$ 24.288 (30,4%)
Carga sobre receita bruta (consumo)~13,3%~16,8%

Impacto estimado anual: +R$ 9.600 a R$ 25.000/ano. Uma clínica de médio porte com alto custo operacional pode reduzir esse impacto em até 40% via créditos de CBS no Lucro Real.

Perfil 3 — Policlínica: R$ 200.000/mês (Lucro Presumido → Lucro Real) #

ItemAntes da ReformaDepois (LP)Depois (LR c/ créditos CBS 40%)
Faturamento brutoR$ 200.000R$ 200.000R$ 200.000
ISS (3%) / IBS saúdeR$ 6.000R$ 21.200R$ 21.200
PIS/COFINS / CBS (líquido)R$ 7.300R$ 12.320R$ 5.280
IRPJ + CSLLR$ 19.200R$ 19.200R$ 22.000
INSS + outrosR$ 8.000R$ 8.000R$ 8.000
Total tributosR$ 40.500R$ 60.720R$ 56.480
Carga sobre receita bruta~20,3%~30,4%~28,2%

Impacto anual sem ação (LP): +R$ 115.200/ano. Com migração para Lucro Real e aproveitamento de créditos, o impacto cai para aproximadamente +R$ 71.000/ano. A diferença entre os dois cenários é de R$ 44.000/ano — valor que justifica a complexidade do Lucro Real acima de determinado faturamento.

Todas as simulações são estimativas educacionais baseadas em alíquotas projetadas. Os números definitivos dependem da regulamentação complementar, do perfil específico de despesas e da interpretação final das alíquotas reduzidas para serviços de saúde pelo Comitê Gestor do IBS.


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Holding Familiar Continua Sendo Vantajosa Pós-Reforma? #

Em resumo: Sim, a holding familiar mantém suas vantagens para médicos de alta renda, mas o foco muda. A reforma afeta os tributos de consumo (CBS/IBS), e a holding não altera essa camada. As vantagens da holding continuam sendo proteção patrimonial, planejamento sucessório e eficiência na distribuição de dividendos — especialmente combinada com a Lei 15.270/2025.

O Que a Reforma Não Muda na Holding #

A holding familiar opera como controladora de participações societárias e ativos imobiliários. Os benefícios que ela oferece estão majoritariamente fora do escopo da reforma tributária:

  • Planejamento sucessório — doação de quotas com reserva de usufruto e cláusulas restritivas permanece intacto
  • Proteção patrimonial — separação entre patrimônio operacional e pessoal não muda
  • Eficiência na distribuição de dividendos — a holding continua sendo veículo eficiente para centralizar e redistribuir lucros de múltiplas PJs

O Impacto Indireto da Reforma na Holding #

A reforma pode afetar a holding de forma indireta em dois cenários:

  1. Holdings com atividade imobiliária: Se a holding recebe aluguéis, a CBS incidirá sobre a receita de locação no regime não cumulativo. Para holdings que apenas detêm participações societárias (sem atividade econômica direta), o impacto é mínimo.

  2. Distribuição de dividendos intercompany: A reforma não altera a tributação de dividendos entre PJs (holding recebendo dividendos da operacional). A distribuição final para o sócio pessoa física continua sujeita às regras da Lei 15.270/2025.

A Combinação que Mais Importa #

Para médicos com faturamento acima de R$ 100.000/mês, a estratégia mais eficiente combina:

  • Clínica no Lucro Real → maximiza créditos de CBS pós-reforma
  • Holding familiar → centraliza patrimônio, gerencia distribuição de dividendos abaixo do limite de R$ 50.000/mês por sócio
  • Planejamento sucessório integrado → quotas da holding transferidas em vida com cláusulas protetoras

Essa estrutura requer análise especializada, mas o custo de montagem tipicamente se paga no primeiro ano para quem fatura acima de R$ 120.000/mês.


Cronograma de Implementação — O Que Já Vigora em 2026 #

Em resumo: A reforma é gradual. Em 2026, a CBS entra em fase teste com alíquota de 0,9% (não impacta o bolso ainda). O impacto pleno ocorre entre 2027 e 2033, com a extinção progressiva dos tributos atuais.

A implementação foi desenhada para ser faseada, evitando choque tributário imediato. Veja o cronograma de transição:

AnoO Que AconteceImpacto para Clínicas Médicas
2026CBS em "fase teste" com alíquota de 0,9%; contribuinte ainda recolhe PIS/COFINS normalmenteBaixo — período de adaptação, sem impacto financeiro real
2027CBS em vigor pleno (alíquota padrão ~8,8%); PIS/COFINS extintosAlto — substituição definitiva do PIS/COFINS; revisar regime tributário
2028Período de coexistência CBS/IBS; ISS ainda vigenteMédio — monitorar regulamentação municipal do IBS
2029IBS começa a vigorar; ISS inicia redução progressivaAlto — reconfigurar planejamento tributário
2030–2032Redução progressiva das alíquotas de ICMS e ISS; IBS assume gradualmenteProgressivo — acompanhar reduções anuais das alíquotas antigas
2033Regime pleno: apenas CBS, IBS e IS; extinção completa de PIS/COFINS, ISS e ICMSImpacto total consolidado

O que fazer agora (2026): A fase teste de 2026 é o momento ideal para simular cenários, revisar o regime tributário atual e preparar a estrutura da clínica para 2027 — quando o impacto financeiro real começa. Conforme orientações disponíveis no portal do Simples Nacional, médicos nesse regime devem acompanhar as regulamentações complementares sobre o tratamento do CBS/IBS para optantes.


Ações Imediatas: Como Preparar Sua PJ Médica para a Reforma #

Com o cronograma definido, há uma janela de 12 meses (2026) para estruturar a clínica antes do impacto real em 2027. As ações abaixo são ordenadas por prioridade:

1. Mapeie seu faturamento bruto e estrutura de custos Identifique o percentual de despesas operacionais sobre a receita: insumos, equipamentos, terceirização (laudo, anestesia, limpeza). Quanto maior esse percentual, maior o potencial de créditos de CBS no Lucro Real.

2. Simule os três regimes para o seu perfil Com os dados de custo levantados, peça ao seu contador uma simulação comparativa entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real para o cenário CBS/IBS pleno (2027+). A tabela deste artigo é um ponto de partida; os números reais dependem do seu perfil específico.

3. Avalie a migração de regime com antecedência Mudanças de regime tributário têm janelas anuais. Para migrar para Lucro Real a partir de 2027, o processo começa ainda em 2026. Não espere 2027 para tomar essa decisão.

4. Revise contratos com prestadores de serviço Com o IBS substituindo o ISS, contratos de prestação de serviço precisarão ser revisados para refletir as novas alíquotas e responsabilidades de retenção. Contratos de longo prazo devem incluir cláusulas de reajuste tributário.

5. Estruture a governança contábil O Lucro Real exige escrituração contábil rigorosa para aproveitamento dos créditos de CBS. Se a clínica hoje opera com contabilidade simplificada, é o momento de elevar o padrão — o retorno em créditos tributários justifica o custo.

6. Avalie a holding para proteção e eficiência combinada Se a clínica tem faturamento acima de R$ 100.000/mês e patrimônio pessoal relevante, a combinação holding + Lucro Real pode ser a estrutura mais eficiente pós-reforma. Esse planejamento leva de 2 a 6 meses para ser implementado — começar agora é começar no tempo certo.


Erros Mais Comuns na Interpretação da Reforma Tributária #

  1. Confundir alíquota nominal com carga efetiva. A alíquota combinada de CBS + IBS é ~26,5% na base de referência, mas serviços de saúde têm redução de 60% prevista. A carga efetiva para serviços médicos fica próxima de 10-11% sobre o faturamento — não 26,5%. Comunicados alarmistas ignoram esse detalhe.

  2. Assumir que o Simples Nacional está isento. O Simples Nacional passará por ajustes para incorporar o CBS/IBS ao longo da transição. Médicos nesse regime não estão protegidos do impacto — apenas têm cronograma diferenciado, conforme acompanhado pelo CFM em nota sobre impactos da reforma.

  3. Ignorar os créditos de CBS no Lucro Real. Muitos médicos descartam o Lucro Real pela complexidade. Após a reforma, a equação muda: clínicas com custo operacional acima de 35-40% do faturamento podem ter carga menor no Lucro Real do que no Presumido, graças aos créditos de CBS.

  4. Achar que a reforma afeta dividendos. A reforma tributária foca em tributos sobre consumo (CBS e IBS). A tributação de dividendos é regulada pela Lei 15.270/2025 — instrumento separado e independente. Misturar os dois gera análises equivocadas.

  5. Esperar a regulamentação final para agir. A fase teste começa em 2026 e o impacto real em 2027. Quem esperar a regulamentação completa para agir pode perder a janela de planejamento — mudanças de regime, reestruturações societárias e ajustes contratuais precisam de tempo.

  6. Não envolver contador especializado em tributação médica. A reforma tem nuances setoriais relevantes. Contador generalista pode não estar atualizado sobre o tratamento específico de serviços de saúde na nova legislação. Vale buscar profissional com experiência no setor médico.


Perguntas Frequentes #

A reforma tributária acaba com o Simples Nacional para médicos? #

Não. O Simples Nacional continua, mas haverá ajustes nas alíquotas para adequação ao CBS/IBS. O cronograma de transição vai até 2033 e prevê tratamento diferenciado para micro e pequenas empresas. Médicos no Simples Nacional devem monitorar as regulamentações complementares ao longo do período de transição.

Quando as mudanças tributárias entram em vigor para clínicas médicas? #

A CBS começa em 2026 em fase teste (alíquota de 0,9%), com vigência plena a partir de 2027. O IBS tem vigência a partir de 2029. O impacto financeiro real para a maioria das clínicas médicas começa em 2027, quando a CBS substitui definitivamente o PIS/COFINS.

Médico que distribui dividendos pela PJ vai pagar mais impostos por causa da reforma? #

Não diretamente — a reforma foca em tributos sobre consumo (CBS/IBS), não sobre distribuição de lucros. A tributação de dividendos é matéria da Lei 15.270/2025, que entrou em vigor em janeiro de 2026 independentemente da reforma tributária. Os dois temas são frequentemente confundidos, mas são instrumentos distintos.

Vale a pena migrar do Lucro Presumido para o Lucro Real com a reforma? #

Depende do perfil de despesas da clínica. No Lucro Real, é possível aproveitar créditos de CBS sobre todos os insumos e serviços contratados — vantagem significativa para clínicas com custo operacional elevado. A regra prática: se as despesas operacionais superam 35-40% do faturamento, o Lucro Real provavelmente se torna mais eficiente a partir de 2027.

O que é a "trava do Simples" e ela afeta médicos? #

É o limite de R$ 4,8M/ano (R$ 400.000/mês) do Simples Nacional. Médicos e clínicas próximos desse limite devem avaliar a migração antecipada para Lucro Presumido ou Lucro Real, pois a reforma pode alterar o custo-benefício de cada regime. Ultrapassar o limite durante o ano obriga a saída retroativa do Simples, com regularização tributária complexa.


O Que Você Deve Fazer Agora #

A reforma tributária de 2026 não é urgente no sentido imediato — o impacto financeiro real começa em 2027. Mas a janela para planejamento é exatamente agora.

Checklist de prioridades para 2026:

  1. Levante o percentual de despesas operacionais da sua clínica sobre o faturamento bruto
  2. Solicite ao contador uma simulação comparativa CBS/IBS nos três regimes: Simples, LP e LR
  3. Avalie se o perfil de despesas justifica migração para Lucro Real a partir de 2027
  4. Revise contratos com prestadores para incluir cláusulas de reajuste tributário
  5. Se faturamento supera R$ 100.000/mês, avalie estrutura de holding combinada com o novo regime
  6. Monitore regulamentações complementares — especialmente as que definem as alíquotas reduzidas para serviços de saúde

Para médicos que ainda estão avaliando a estrutura básica de PJ, o artigo IR para Médico: PF ou PJ? cobre o comparativo tributário fundamental antes de definir regime e estrutura societária.

Quer entender como a reforma afeta especificamente o seu faturamento? Use o simulador da Credco para projetar os cenários antes e depois da reforma. SIMULAR AGORA


Sobre o autor: Ricardo Melo é fundador e CEO da Credco, boutique de construção patrimonial que já alavancou mais de R$ 250 milhões em patrimônio para mais de 500 profissionais de alta renda. Especialista em planejamento tributário patrimonial, consórcio estratégico e engenharia patrimonial.

Disclaimer: Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação individualizada de investimento ou consultoria jurídico-tributária. As alíquotas e simulações mencionadas são estimativas baseadas nas projeções disponíveis até março de 2026 e na regulamentação parcial da reforma tributária. Os números definitivos dependem de regulamentação complementar ainda em curso. Decisões tributárias devem considerar sua situação específica. Consulte um contador e advogado tributarista especializados no setor médico.

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